O que é anestesia geral ?

Anestesia Geral é um termo utilizado para designar uma técnica anestésica que promove inconsciência (hipnose) total, abolição da dor (analgesia / anestesia) e relaxamento do paciente, possibilitando a realização de qualquer intervenção cirúrgica conhecida. Pode ser obtida com agentes inalatórios e/ou endovenosos.

A indução da anestesia é o período de transição inicial do paciente que se encontra acordado para o estado de inconsciência, característico da anestesia geral.

A anestesia inalatória pura é bastante utilizada em crianças (anestesia pediátrica), obtendo-se a indução da anestesia com uma mistura de gases (oxigênio + ar comprimido ou oxigênio + óxido nitroso ou ainda oxigênio puro) com um agente anestésico inalatório (exemplos: halotano, sevofluorano), administrado através de uma máscara facial (o popular “cheirinho”).

Já em pacientes adultos, a indução mais utilizada é a endovenosa: o médico anestesista “pega uma veia” e injeta medicações que farão o paciente dormir, promoverão relaxamento muscular (que é vital para a realização de alguns tipos de cirurgias) e, é claro, medicações que vão abolir a dor.

Na manutenção da anestesia, tanto em crianças como adultos, podem ser utilizados agentes venosos e/ou inalatórios, administrados conforme as necessidades individuais do paciente e de características do procedimento cirúrgico.

Na anestesia geral é comum que a função respiratória seja complementada com aparelhos chamados ventiladores mecânicos (ou respiradores artificiais). Nesses casos, os pulmões são conectados ao aparelho através de um tubo que é inserido na traquéia do paciente. A intubação traqueal é um procedimento especializado, realizado pelo médico anestesiologista, e que, ao contrário do que se pensa popularmente, costuma conferir grande segurança ao ato anestésico.

A segurança dos procedimentos anestésicos aumentou muito ao longo da última década. O melhor preparo dos médicos, o melhor conhecimento das doenças, o melhor preparo dos pacientes, a instituição regular das consultas pré-anestésicas, drogas mais seguras e monitorização adequada no intra-operatório e no período pós anestésico são considerados os principais fatores que contribuíram para a drástica redução das complicações relacionadas às técnicas anestésicas.

Hoje em dia se incentiva o estabelecimento de uma relação médico paciente mais próxima com o médico anestesiologista, reconhecido fator de melhora da qualidade e conseqüente diminição de complicações relacionadas ao ato anestésico.

O que é Sedação Consciente ?

Edição: Fábio Luís Ferrari Regatieri

Durante os últimos 150 anos um grande número de agentes inalatórios foram adotados na prática da anestesiologia – éter, clorofórmio, ciclopropano, entre outros – sendo gradualmente substituídos por outros com melhor performance. Entretanto o Óxido Nitroso (N2O), o primeiro desses agentes a ser utilizado para alívio da dor e da ansiedade, sobreviveu a séculos de história médica e ainda é recurso útil como adjuvante de anestesias gerais ou utilizado em uma mistura com oxigênio puro para produzir o que chamamos de sedação consciente.

Identificado primeiramente ao redor de 1774 pelo grande químico inglês Joseph Priestley, teve sua história precocemente ligada à da Odontologia, uma vez que já na década de 1840 um dentista, Horace Wells, conduziu uma série de estudos com o gás, empregando-o para o alívio da dor e disputando com William Morton a condição de criador da moderna anestesiologia.Em 1863, Colton reiniciou estudos sobre o uso anestésico do protóxido e em 1868 um cirurgião de Chicago chamado Edmund Andrews começou a utilizá-lo em combinação com o oxigênio, método que se tornou extremamente popular pela segurança e eficiência, lançando princípios até hoje utilizados em anestesiologia clínica e odontológica.

De fato, a mistura do protóxido com oxigênio em proporções que variam de 20 a 70% de N2O administrada por via inalatória, sem qualquer outra droga adjuvante, é a própria definição da sedação consciente. Utilizado em odontologia por vários países do mundo desde a década de 1950, notavelmente nos Estados Unidos (onde algo em torno 88% dos consultórios de odontopediatria empregam a técnica em seus pacientes) e na Europa, é considerado método seguro e efetivo no controle da ansiedade associado aos procedimentos odontológicos (odontofobia), proporcionando também um certo grau de analgesia que ajuda bastante, por exemplo, na infiltração de anestésicos locais.

Não se trata de anestesia geral, pois quando utilizado corretamente, mantém o paciente colaborativo e com seus reflexos de proteção íntegros. Administrado por um dispositivo nasal, não implica em entubação orotraqueal, nem em ventilação mecânica, sendo que o paciente preserva o controle da respiração. Devido às características do N2O, que não é metabolizado e é elimenado rapidamente pela via respiratória, a sedação pode ser revertida brevemente, num período de 3 a 5 minutos, caso seja necessário. Não é considerada boa prática a administração concomitante de qualquer outra droga depressora do sistema nervoso central, ao menos em consultórios odontológicos. Também não se trata de um substituto para a anestesia geral, a qual tem seu lugar na prática da odontologia e exige estrutura hospitalar para ser realizada.

Assim, exige-se do profissional que pretenda realizá-la um preparo adequado. Nos EUA e Europa o próprio dentista é habilitado para administrar a sedação. Nestes países, a sedação com protóxido está incorporada nos programas de graduação e há diversos cursos de especialização que estes profissionais podem fazer para complementar sua formação. Além do aprendizado da técnica em si, a preparação inclui aprofundamento de noções de monitorização, fisiologia e reanimação cárdio-respiratória.

No Brasil há uma crescente demanda pela técnica, que certamente vai exigir uma regulamentação legal, bem como estruturação didática a fim de preparar adequadamente a classe odontológica para realizá-la. Além dos modelos importados, a indústria nacional vem lançando aparelhos com diferentes graus de sofisticação e preços, mostrando que deverá prover equipamentos adequados para a execução da técnica.

Anestesia Local ?

O início do uso dos anestésicos locais remonta à segunda metade do século XIX. Por volta de 1860, Albert Niemann isolou um alcalóide na forma cristalina que seria o primeiro anestésico local utilizado na prática clínica: a cocaína. Muito embora sua utilização venha caindo na prática anestésica, ainda podemos encontrá-la sendo usada em certos colírios anestésicos em países como os EUA. Outras drogas desenvolvidas no final do século XIX e início do século XX, como a procaína e a lidocaína, popularizaram as técnicas de anestesia local e permitiram o desenvolvimento da anestesia regional.

Diz-se que uma anestesia é local quando ocorre infiltração de um anestésico local (por exemplo a lidocaína ou Xylocaína) em uma determinada área do corpo, sem que ocorra bloqueio de um nervo específico ou plexo (nome dado a um conjunto de nervos) ou do neuroeixo (medula espinhal). A anestesia limita-se à área infiltrada pelo anestésico local. É largamente utilizada em nosso meio em cirurgia superficial (exemplo: cirurgias plástica e dermatológica), e em procedimentos circunscritos a áreas limitadas (extração de corpo estranho superficial, cirurgias odontológicas).

Trata-se de técnica segura se respeitados os limites de doses preconizadas para cada tipo de anestésico local e as características de cada paciente e do procedimento cirúrgico a que se destina.

O tempo de duração de uma anestesia local varia conforme a região infiltrada, as características do anestésico empregado, bem como sua quantidade e concentração e as características individuais de cada paciente.

Anestesia Regional ?

Anestesia regional é uma denominação que engloba uma série de técnicas anestésicas distintas tanto na execução quanto na indicação. Estas técnicas têm em comum o fato de a anestesia ser produzida através de um anestésico local e ser circunscrita a uma determinada área do corpo. São técnicas de anestesia regional:

1)Bloqueios tronculares: um determinado nervo é bloqueado através da deposição de anestésico local sobre ele. Algumas anestesias para odontologia são bloqueios tronculares.

2)Bloqueios de plexo: bloqueamos um conjunto de nervos responsáveis pela sensibilidade de uma determinada área. Como exemplo podemos citar os diferentes bloqueios do plexo braquial, utilizados em cirurgias do membro superior ( ombro, braço, cotovelo, antebraço e mão).

Uma das várias técnicas de Bloqueio do plexo braquial – neste caso para uma cirurgia de cotovelo.

3)Bloqueios espinhais: neste caso, os anestésicos locais são utilizados a fim de bloquear a passagem do impulso doloroso pela medula espinhal. As técnicas utilizadas são a raquianestesia (ou simplesmente raqui e a peridural).

Como na anestesia local , o tempo de duração de uma anestesia regional varia conforme a região infiltrada, as características do anestésico empregado, bem como sua quantidade e concentração e as características individuais de cada paciente. Pode ser prolongado indefinidamente com a instalação de catéteres que permitem que doses adicionais de anestésico sejam aplicadas. A utilização de catéteres também constitui artifício para controlar a dor no período pós-operatório.

Anestesia Espinhal ?

Denomina-se anestesia espinhal ao procedimento anestésico realizado com o objetivo de bloquear os estímulos dolorosos que são conduzidos através da medula espinhal. Basicamente podemos fazer isto através de duas técnicas anestésicas: a raquianestesia e a peridural (e sua variante, a caudal).

A medula espinhal é parte do Sistema Nervoso Central, ocupando o canal vertebral da coluna. É da medula espinhal que emergem quase todos os nervos responsáveis pela nossa sensibilidade (tátil, térmica, dolorosa) e pela motricidade voluntária(movimentos).

A medula espinhal é envolvida pelas meninges. Meninges são membranas que revestem todo o Sistema Nervoso Central, do encéfalo (cérebro) até o final da medula espinhal. São essas membranas que delimitam os espaços epidural (ou peridural) e subaracnoídeo, importantes para que possamos entender como são realizadas as anestesias espinhais e as diferenças entre elas.

São três as meninges: a pia-máter (que está em contato mais íntimo com a medula), a aracnóide (localizada entre a pia-máter e a dura-máter) e a dura-máter, mais externa e mais espessa.

Pois bem, o espaço entre a pia-máter e a aracnóide é preenchido pelo Líquor ou Líquido Céfalo-raquidiano (popularmente conhecido como “líquido da espinha”). Este espaço, chamado subaranoídeo, é aquele que atingimos quando desejamos realizar uma raquianestesia. O anestesiologista localiza este espaço ao observar saída de líquor através da agulha de raqui. São perfuradas duas meninges para se realizar esta técnica: a dura máter (mais externa) e a aracnóide (um pouco mais interna).

A anestesia peridural é realizada sem que qualquer meninge seja perfurada. Trata-se de depositar o anestésico no espaço epidural (epi = acima), antes da dura-máter. O anestesiologista localiza este espaço através de duas técnicas diferentes, muito específicas para serem expostas aqui.

Raquianestesia ?

Denomina-se raquianestesia ( bloqueio subaracnóideo ) a anestesia que resulta da deposição de um anestésico local dentro do espaço subaracnoídeo. Ocorre bloqueio nervoso reversível das raízes anteriores e posteriores, dos gânglios das raízes posteriores e de partes da medula, advindo perda da atividade autônoma, sensitiva e motora. São indicadas para cirurgias de abdômen e extremidades inferiores, inclusive para cirurgias obstétricas ( parto vaginal e cesariana ).

Como a medicação é depositada dentro do Líquor, é necessária apenas uma pequena quantidade de anestésico local para produzir anestesia altamente eficiente. Trata-se de uma importante vantagem da raquianestesia sobre a peridural, pois trabalha-se com um risco de intoxicação por anestésicos locais muito próximo de zero.

A desvantagem mais conhecida da raquianestesia é a cefaléia pós-punção (nome técnico para a dor de cabeça que pode aparecer quando perfuramos a dura-máter). A explicação mais aceita para esta condição é relacionada com o “furinho” que fica por alguns dias na dura máter e provocaria perda de líquor do espaço subaracnoídeo, causando a dor de cabeça.

Com a introdução de agulhas mais finas, descartáveis e menos traumáticas, esta técnica novamente ganhou grande impulso. Porquê a incidência de cefaléia diminuiu tanto com este novo material ??? A resposta é simples: agulhas melhores fazem “furinhos” menores nas meninges, ocasionando menor escape de líquor e menor probablidade de cefaléia.

A simplicidade de realização, o excelente controle do nível de anestesia que proporciona, a excelente qualidade do bloqueio sensitivo e motor, o baixo custo e a segurança do procedimento explicam por que esta é uma das técnicas anestésicas prediletas do anestesiologista brasileiro.

Anestesia peridural ?

Obtém-se a anestesia peridural injetando uma solução de anestésico local no espaço epidural. São indicadas para cirurgias abdominais, parto vaginal, cesáreas, cirurgias ginecológicas, urológicas, plástica de abdômen e outras da extremidade inferior. Também podem ser indicadas em associação com anestesia geral para a realização de cirurgias torácicas.

Qual o risco de uma Anestesia?

São muito raros, atualmente, os acidentes ou complicações de uma Anestesia. Com medicamentos, instrumental, novos monitores e técnicas modernas, o Anestesiologista reduz ao máximo os riscos de acidentes anestésicos, mas é claro que eles nunca chegam a zero, uma vez que há fatores de risco algumas vezes imponderáveis ligados não só à anestesia, como à própria operação, às condições hospitalares, à condição clínica do paciente, etc.

Novos monitores, drogas mais seguras e melhor capacitação técnica do profissional vêm reduzindo sistematicamente os riscos anestésicos.

De qualquer maneira, o Anestesiologista, além do conhecimento e da especialização médica, emprega toda a sua perícia e experiência clínica para o sucesso completo da operação a que você está se submetendo. Para a maior segurança dos pacientes, os hospitais modernos contam com equipes e equipamentos próprios para emergências e cuidados críticos, o que reduz ainda mais os riscos de acidentes graves.